Política de juros do BC caminha para nível “bastante contracionista”, diz diretor do BC

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, disse nesta segunda-feira (13) ter pouca dúvida de que a política de juros da autarquia está em patamar contracionista e está indo para “bastante contracionista”.
Em evento do Bradesco Asset, ele afirmou que ainda é cedo para se discutir o eventual momento que o BC irá parar o ciclo de alta nos juros. De acordo com o Guillen, esse é um tópico delicado e a autarquia sempre se guiará pela confiança de que está colocando a inflação na meta.
Apesar do nível dos juros básicos, atualmente em 12,25% ao ano, o diretor afirmou que o dinamismo do consumo das famílias, impulsionado por gastos do governo, e o desempenho do crédito podem ser tratados como elementos mitigadores da política monetária.
“Tenho pouca dúvida de que a gente está contracionista e está indo para bastante contracionista, quanto a isso tenho pouca dúvida”, destacou.
Ao afastar outro fator que poderia reduzir a potência da política monetária, Guillen disse não acreditar que tenha havido uma mudança radical na taxa neutra de juros no país — que não estimula nem retrai a atividade. E ressaltou que o BC tem os instrumentos para levar a inflação à meta.
Em sua reunião de dezembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic em 1 ponto percentual, prevendo mais dois ajustes equivalentes em janeiro e março, o que levará a taxa a 14,25% ao ano, se confirmada essa orientação.
Na apresentação, Guillen afirmou que o “guidance” está posto, e ressaltou que o BC “obviamente” seguirá acompanhando dados de atividade econômica, inflação corrente e projeções para tomar suas decisões.
Para ele, o BC ter apontado em sua comunicação que o cenário estava menos incerto e mais adverso, o que permitiu dar o guidance, foi uma das principais mensagens da autarquia.
Inflação e câmbio
O diretor disse que a análise dos dados de inflação nos próximos meses será relevante para que se possa avaliar como a depreciação cambial recente será transmitida para os preços no país.
Ele destacou que a redução da inflação em outros países é importante para que os preços caiam no Brasil.
A partir deste ano, o BC persegue uma meta contínua de inflação, medida mês a mês, e não apenas no fechamento do ano. O alvo segue o mesmo, de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
A inflação no país fechou 2024 em 4,83%, confirmando o estouro do teto da meta.
Para o diretor, o desvio em relação à meta teve diferentes componentes e foi mais espalhado do que o observado na última vez em que o índice descumpriu o alvo estabelecido, em 2022.
Ele reafirmou que o movimento de piora nas expectativas de mercado para a inflação é algo que incomoda a diretoria do BC, considerando que a desancoragem eleva o custo de levar a inflação à meta.

